Sueli Guadelupe de Lima Mendonça Luciana Aparecida Araújo Penitente Stela Miller



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Sueli Guadelupe de Lima Mendonça
Luciana Aparecida Araújo Penitente
Stela Miller
(Organizadoras)

A Questão do Método e a Teoria 
Histórico-Cultural

Sueli Guadelupe de Lima Mendonça
Luciana Aparecida Araújo Penitente
Stela Miller
(Organizadoras)
A Questão do Método e a Teoria 
Histórico-Cultural: bases teóricas e 
implicações pedagógicas
Marília/Oficina Universitária
São Paulo/Cultura Acadêmica
2017

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS
Diretor: 
Dr. Marcelo Tavella Navega
Vice-Diretor:
Dr. Pedro Geraldo Aparecido Novelli
Conselho Editorial
Mariângela Spotti Lopes Fujita (Presidente)
Adrián Oscar Dongo Montoya
Ana Maria Portich
Célia Maria Giacheti
Cláudia Regina Mosca Giroto
Giovanni Antonio Pinto Alves
Marcelo Fernandes de Oliveira
Maria Rosangela de Oliveira
Neusa Maria Dal Ri
Rosane Michelli de Castro 
 Ficha catalográfica
Serviço de Biblioteca e Documentação – Unesp - campus de Marília
Editora afiliada:
Cultura Acadêmica é selo editorial da Editora Unesp
Q5      A Questão do método e a teoria histórico-cultural : bases teóricas  e implicações pedagógicas / 
Sueli Guadelupe de Lima Mendonça, Luciana Aparecida Araújo Penitente, Stela Miller 
(organizadores). –  Marília : Oficina Universitária ; São Paulo : Cultura Acadêmica, 
2017. 
170 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-7983-878-1 (Impresso)
 
ISBN 978-85-7983-879-8 (Digital)
1. Pedagogia crítica. 2. Materialismo histórico. 3. Pesquisa educacional. 4. Ensino 
- Metodologia. I. Mendonça, Sueli Guadelupe de Lima. II. Penitente, Luciana Aparecida 
Araújo. III. Miller, Stela.
 
 
 
 
CDD   370.115

S
umário
Apresentação
Sueli Guadelupe de Lima Mendonça, 
Luciana Aparecida Araújo Penitente e Stela Miller  ............................ 7
Prefácio
Marilda Gonçalves Dias Facci  .......................................................... 13
P
rimeira
 P
arte
o
 
método
 
em
 
questão
 – 
marx
 
e
 
teoria
 
histórico
-
cultural
La visión integral o de totalidad en el método dialéctico, su presencia 
en lo histórico cultural y sus proyecciones en la práctica educativa 
Guillermo Arias Beatón  .................................................................... 19
S
egunda
 P
arte
o
 
método
 
nas
 
pesquisas
 
educacionais
O método nas pesquisas educacionais: uma aproximação metodológica 
ao estudo do desenvolvimento cultural
Idania B. Peña Grass  ....................................................................... 39
O método na teoria histórico-cultural: a pesquisa sobre a relação 
indivíduo-generecidade na educação 
Maria Eliza Mattosinho Bernardes  ................................................... 63

terceira
 
Parte
método
 
e
 
trabalho
 
pedagógico
O método como base para reflexão sobre um modo geral de organização 
do ensino 
Marta Sueli de Faria Sforni  ............................................................. 81
A alfabetização na educação infantil à luz da pedagogia histórico-crítica
Ana Carolina Galvão Marsiglia; Hadassa da Costa Santiago Bremenkamp 
  97
Trabalho pedagógico na educação infantil: em busca da atitude ativa de
professores e crianças 
Elieuza Aparecida de Lima   .............................................................. 113
quarta
 
Parte
o
 
método
 
e
 
a
 
formação
 
de
 
adolescentes
 
e
 
jovens
O método na psicologia do desenvolvimento e a formação de 
adolescentes e jovens 
Armando Marino Filho  ................................................................... 133
Proyectos futuros en jóvenes cubanos: una mirada desde el enfoque 
histórico cultural  
Laura Dominguez Garcia   ............................................................... 147
Sobre os Autores   ............................................................................ 167

a
PreSentação
Sueli Guadelupe de Lima Mendonça
Luciana Aparecida Araújo Penitente
Stela Miller
Durante a realização do evento que reuniu a 15ª. Jornada do Nú-
cleo de Ensino da Faculdade de Filosofia e Ciências — UNESP — Campus 
de Marília e o 3º. Congresso Internacional sobre a Teoria Histórico-Cultu-
ral, realizado de 09 a 11 de agosto de 2016, foram realizadas conferências 
e palestras algumas das quais compõem a presente coletânea.
Nesse evento objetivou-se discutir a questão do método do ponto 
de vista histórico-cultural, trazendo ao debate, além da base teórica a partir 
da qual o tema foi tratado, algumas de suas possíveis implicações pedagó-
gicas direcionadas à reflexão sobre pressupostos necessários à constituição 
de uma teoria pedagógica passível de efetivar-se nas práticas educativas, na 
pesquisa e na formação de professores.
Vygotski (2000), ao tratar de suas pesquisas acerca das funções 
psicológicas superiores, ressalta a estreita relação que há entre o objeto e 
método. O objeto a ser investigado caracteriza-se por certas particulari-
dades e especificidades a partir das quais são definidos o problema e o 
método que mais adequadamente se presta ao estudo desse objeto. Por 
meio do método delineia-se o caminho a ser seguido, a forma e o curso das 
ações investigativas, e, por isso, a sua busca converte-se, segundo o autor, 
“em uma das tarefas de maior importância da investigação” (VYGOTSKI, 
2000, p. 47).

8  
MENDONÇA, S. G. L.; PENITENTE, L. A. A.; MILLER, S. (Org.)
O método, porém, é uma questão crucial não apenas para as ações 
investigativas, quando está em jogo a busca de respostas para problemas 
científicos circunscritos em determinadas áreas do conhecimento. Ele é 
também essencial quando se trata das questões pedagógicas, tanto aquelas 
que abrangem os processos de preparação dos profissionais que atuarão nos 
diferentes sistemas de ensino, como, mais especificamente, os processos 
de ensino e de aprendizagem que se desenvolverão, por meio da atuação 
desses profissionais, no interior das escolas que fazem parte desses sistemas.
Durante sua formação, os profissionais que atuam nas escolas, 
particularmente os professores, passam por um processo que objetiva pôr 
em relação os conteúdos – que serão objeto de aprendizagem por parte das 
crianças e jovens que estarão no futuro sob sua orientação – e o método 
pelo qual esses conteúdos podem ser ensinados. Para isso, o processo de 
formação profissional é também pensado em termos da relação entre obje-
to e método: é preciso definir tanto os conteúdos que deverão fazer parte 
dessa formação, como o caminho a ser seguido para a implementação desse 
processo.
Da mesma forma, os processos de ensino e de aprendizagem, que 
se concretizam em sala de aula no trabalho com crianças e jovens, têm um 
conteúdo específico e uma forma adequada de organizar-se para que se 
torne possível a objetivação do desenvolvimento dos sujeitos envolvidos. 
A questão do método e sua inter-relação com o objeto é, pois, 
central nos campos de atuação acima discriminados. Mas não somente, 
ela é crucial em todas as áreas de atividades humanas, manifestando-se de 
forma mais ou menos complexa na dependência da natureza do objeto 
dessas atividades. 
Os artigos presentes nesta coletânea apresentam a questão do mé-
todo em uma sequência pensada a partir de uma abordagem mais ampla 
do tema, passando pela discussão do método nas pesquisas educacionais 
e no processo de formação profissional do professor, finalizando com as 
questões relativas às implicações pedagógicas para a formação de crianças e 
jovens. Para isso, os artigos foram organizados em quatro partes. 
primeira 
parte
, intitulada “
O método em questão – Marx e 
teoria histórico-cultural”, traz o artigo “La visión integral o de totalidad 

A Questão do Método e a Teoria Histórico-Cultural
 
9
en el método dialéctico, su presencia en lo histórico cultural y sus proyecciones 
en la práctica educativa” escrito por Guillermo Arias Beatón. Nesse artigo, 
Beatón
 apresenta discussão interessante sobre o método marxista, ao ana-
lisar como Vigotski em seus trabalhos, perseguiu o uso desse método em 
sua essência, mostrando de modo original as marcas e as limitações desse 
processo pelo qual enveredou em suas pesquisas sobre o desenvolvimento 
humano. 
Na segunda parte, “O método nas pesquisas educacionais”, estão 
os artigos de Idania B. Peña Grass e de Maria Eliza Mattosinho Bernardes. 
Idania B. Peña Grass
, em seu artigo intitulado “O método nas 
pesquisas educacionais: uma aproximação metodológica ao estudo do desenvol-
vimento cultural” trata de uma questão crucial para a pesquisa educacional: 
abordar o método em sua estreita vinculação com o objeto de estudo. A 
autora destaca que o foco de sua análise não é o método tomado em si mes-
mo, mas a relação dialética entre objeto e método pela qual pode-se com-
preender o papel e a importância da teoria histórico-cultural para a pesqui-
sa educacional. Para isso, trata dos princípios básicos que estão na base da 
escolha do método para a adequada abordagem do objeto de pesquisa, que, 
por se caracterizar como um processo em constante movimento, deman-
da uma análise explicativa das relações dinâmico-causais, superando, com 
isso, os limites próprios da análise puramente descritiva e da constatação 
das características aparentes da realidade pesquisada.
O artigo de Maria Eliza Mattosinho Bernardes“O método na 
teoria histórico-cultural: a pesquisa sobre a relação indivíduo-generecidade 
na educação”, focaliza a pesquisa educacional da perspectiva da teoria his-
tórico-cultural, que analisa o objeto em sua concretude, materialidade e 
historicidade. Traz à discussão os princípios teóricos da pesquisa sobre o 
desenvolvimento psicológico a partir dos quais são analisados os processos 
educativos no desenvolvimento psicológico, contribuindo com isso para a 
compreensão da pesquisa educacional à luz dessa teoria.
terceira parte denominada “Método e trabalho pedagógico”, 
engloba artigos que falam da questão geral de como o trabalho pedagógico 
pode se organizar para orientar o processo de desenvolvimento dos alunos, 
e das possibilidades abertas pela Teoria Histórico-Cultural para a organi-

10  
MENDONÇA, S. G. L.; PENITENTE, L. A. A.; MILLER, S. (Org.)
zação do trabalho pedagógico a ser realizado na educação infantil a fim de 
proporcionar às crianças uma atividade adequada às principais transfor-
mações que se dão em seu psiquismo nesse momento da vida. Nessa parte 
estão os artigos de Marta Sueli de Faria Sforni, de Ana Carolina Galvão 
Marsiglia em conjunto com Hadassa da Costa Santiago Bremenkamp e de 
Elieuza Aparecida de Lima. 
Em seu artigo 
“O método como base para reflexão sobre um modo 
geral de organização do ensino”Marta Sueli 
de Faria Sforni
 propõe uma 
articulação entre o Método Materialista Histórico-Dialético, a Teoria 
Histórico-Cultural e a Didática, objetivando fazer do ensino uma possi-
bilidade efetiva de desenvolvimento humano.
Para isso, a autora defende um modo geral de organização do 
ensino feito com base em cinco princípios que orientam a prática docen-
te, a saber, 
princípio do ensino que desenvolve, princípio do caráter ativo 
da aprendizagem, princípio do caráter consciente, princípio da unidade 
entre plano material (ou materializado) e o verbal, e o princípio da ação 
mediada pelo conceito. A ideia é que, tendo como base esses princípios, 
o professor possa organizar o processo de ensino de modo a adequá-lo às 
suas intenções de conduzir a aprendizagem de seus alunos visando ao seu 
desenvolvimento.
Ana Carolina
 Galvão Marsiglia e Hadassa da Costa Santiago 
Bremenkamp
, no artigo denominado “A alfabetização na educação in-
fantil à luz da pedagogia histórico-crítica”, expõem os resultados de uma 
pesquisa bibliográfica e documental, feita com base na Pedagogia His-
tórico-Crítica, que objetivou identificar práticas pedagógicas necessárias 
à apropriação da alfabetização na educação infantil, defendendo a ideia 
de que ela só pode ser alcançada adequadamente quando há o ensino 
intencional, que, por sua vez, deve estar presente em todas as etapas edu-
cacionais, de modo a garantir a sequência de aprendizagens necessária 
à apropriação da língua escrita. Concluem que a alfabetização, em seu 
sentido pleno não foi alcançada com os sujeitos da referida pesquisa em 
função das “referências dominantes” para o ensino e a aprendizagem da 
língua escrita que criticam as formas intencionais de ensino.

A Questão do Método e a Teoria Histórico-Cultural
 
11
No artigo intitulado “Trabalho pedagógico na educação infantil: 
em busca da atitude ativa de professores e crianças”Elieuza Aparecida de 
Lima
 traz a discussão sobre o papel e o valor do ensino na educação de 
crianças pequenas como possibilidade efetiva de humanização. Para tan-
to, parte dos pressupostos da Teoria Histórico-Cultural considerando as 
relações sociais como elemento necessário ao processo de humanização 
das crianças, principalmente nos anos iniciais de sua vida, possibilitando-
-lhes a apropriação de conhecimentos motivadores no desenvolvimento 
da inteligência e da personalidade, o que requer um trabalho pedagógico 
dirigido à organização de situações que são projetadas intencionalmente 
e um profissional habilitado para proporcionar a elas condições objetivas, 
de modo que aprendam e se desenvolvam de maneira ativa em níveis 
cada vez mais elaborados.
quarta parte, “O método e a formação de adolescentes e jo-
vens”, fecha a coletânea. Nela estão os artigos de Armando Marino Filho 
e de Laura Dominguez Garcia, tratando especificamente da orientação de 
jovens na fase final de seus estudos na educação básica. 
No artigo denominado “O método na psicologia do desenvolvi-
mento e a formação de adolescentes e jovens”,  Armando Marino Filho 
aborda a temática sobre o desenvolvimento de adolescentes e jovens na 
perspectiva da Teoria Histórico-Cultural, articulando a fundamentação 
teórica com suas pesquisas e experiências, com foco especial na formação 
do pensamento desses sujeitos, ressaltando a centralidade dessa função 
psíquica para o desenvolvimento psicológico, e também destacando a sua 
importância para as inter-relações entre a formação dos indivíduos para o 
domínio e transformação das atuais formas de existência social.
Laura Dominguez Garcia
 em seu artigo “Proyectos futuros en 
jóvenes cubanos: una mirada desde el enfoque histórico cultural”, discorre 
sobre as principais regularidades do desenvolvimento psicológico na eta-
pa da juventude, a partir dos princípios da Teoria Histórico-Cultural, em 
particular da categoria situação social de desenvolvimento, apresentando 
os resultados de pesquisas realizadas com diferentes grupos de jovens 
cubanos e voltadas à caracterização de seus projetos futuros, entendidos 
como formações complexas da personalidade – expressão temporal da 

12  
MENDONÇA, S. G. L.; PENITENTE, L. A. A.; MILLER, S. (Org.)
motivação – que se estruturam como tarefa principal dos jovens, objeti-
vando determinar seu lugar futuro na sociedade, dentro dos sistemas de 
atividade e comunicação que transcorrem em suas vidas.
r
efer
ê
ncia
 
VYGOTSKI, L. S. Obras Escogidas. 2. ed. Madri: Visor, 2000. Vol. III.

P
refácio
Marilda Gonçalves Dias Facci
1
“Por mais estranho e paradoxal que pareça, à primeira vista, é precisamen-
te a prática, como princípio construtivo da ciência, que exige uma filosofia, 
ou seja, uma metodologia da ciência” (VIGOTSKI, 1996, p. 345)
Os textos que compõem esta coletânea intitulada Teoria Históri-
co-Cultural e a questão do método – bases teóricas e implicações pedagógicas, 
organizada pelas professoras Sueli Guadelupe de Lima Mendonça, Lucia-
na Aparecida Araújo Penitente e Stela Miller fazem parte das discussões 
apresentadas pelos pesquisadores que fizeram exposições de trabalhos no 
evento que conjugou a 15ª. Jornada do Núcleo de Ensino e o 3º. Congres-
so Internacional da Teoria Histórico-Cultural, realizado em 2016. O tema 
proposto foi muito sugestivo: “Teoria Histórico-Cultural e a questão do 
método - bases teóricas e implicações pedagógicas”. A finalidade do evento 
foi pensar a relação teoria e prática a partir da Psicologia Histórico-Cultu-
ral, que tem como fundamento o materialismo histórico e dialético.
Ao analisar o texto escrito por Vigotski (1996) por volta de 1917, 
O significado histórico da crise da Psicologia”, um ponto que sempre produz 
reflexão é quando ele chama a atenção para a epígrafe que apresentei no 
início deste prefácio. Concordo plenamente com o autor que a prática é 
fundamentada por uma filosofia. Ele nos incita a pensar, no nosso caso que 
lidamos com a área de ciências humanas,  em qual visão de homem está 
guiando, por exemplo, a atividade pedagógica realizada cotidianamente 

Professora do Departamento de Psicologia e Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Es-
tadual de Maringá.

14  
MENDONÇA, S. G. L.; PENITENTE, L. A. A.; MILLER, S. (Org.)
em busca da transmissão-apropriação do conhecimento. A unidade dialé-
tica entre teoria e prática é imprescindível quando refletimos sobre a trans-
formação que ocorre nos indivíduos no processo ensino-aprendizagem; 
seja naquele em que se vai humanizando os sujeitos por meio da educação, 
da apropriação dos conteúdos curriculares, dos conhecimentos científicos; 
seja naquele que sistematiza o ensino de forma a instrumentalizar os alunos 
para, por meio de mediações teóricas, conhecer a realidade para além da 
pseudoconcreticidade, como afirma Kosik (1976).
O professor Dermeval Saviani (2003), ao elaborar a Pedagogia 
Histórico-Crítica, deixa muito claro que a função da educação é a trans-
missão e apropriação dos conhecimentos produzidos pelos homens no 
processo histórico. Nesta socialização, quais seriam os fundamentos filosó-
ficos, epistemológicos e psicológicos que guiam os profissionais que atuam 
no espaço educativo? Essa é uma questão premente de ser discutida, pois, 
para “[...] qualquer ciência chega, mais cedo ou mais tarde, o momento 
em que deve ter consciência de si mesma como um conjunto, compreen-
der seus métodos e trasladar a atenção dos atos e fenômenos aos conceitos 
que utiliza” (VIGOTSKI, 1996, p. 229).  Parece-me que o evento foi por 
este caminho e os autores se debruçaram sobre esse ponto nevrálgico, que 
merece toda nossa atenção.
Ao ler os capítulos que seguem, um eixo central que liga todos os 
textos é a discussão sobre o método do materialismo histórico e dialético 
guiando as reflexões e as proposições das práticas que são exemplificadas 
nos textos. O Prof. Guilhermo Beatón escreve nesta obra que se considera 
um aprendiz do método do materialismo histórico e dialético, e fiquei 
refletindo: se compreender esse método já é uma tarefa espinhosa, complexa, 
o que se dirá, então, de ainda discorrer sobre as implicações pedagógicas 
deste método? É isso que o leitor encontrará nas páginas que se seguem. 
Os pesquisadores se debruçam sobre categorias do marxismo para pensar o 
“miúdo da escola” – expressão utilizada em uma das conversas com a Profª. 
Marta Sforni – e que precisa ser desenredado nas situações de ensino, como 
a autora propõe no texto que escreve nesta coletânea.
Nos capítulos que tratam da prática pedagógica, o que obser-
vamos é uma forte defesa da apropriação dos conhecimentos científicos 
como fator imprescindível para o desenvolvimento das funções psicológi-

A Questão do Método e a Teoria Histórico-Cultural
 
15
cas superiores, deixando clara a função da educação e entendendo a apren-
dizagem como essencial para o desenvolvimento humano, como bem ana-
lisam Ana Carolina Marsiglia, Hadassa da Costa Santiago Bremenkamp e 
Elieuza Lima. As autoras trazem também para o centro do debate, a atua-
ção do professor, profissional este que deve estar preparado para criar as 
melhores e mais ricas condições objetivas para que os alunos desenvolvam 
suas potencialidades.
Alguns textos trazem uma discussão de categorias do método que 
auxiliam no aprofundamento dos conceitos tratados, resgatando a concre-
tude, a materialidade e a historicidade, conforme propõe Eliza Bernardes; 
outros, ainda, abordam categorias centrais da Psicologia Histórico-Cul-
tural, tais como a relação entre o interno e externo na situação social de 
desenvolvimento, como tão bem discute Idania Grass.
A juventude também é analisada, tanto por Armando Marino 
Filho, que fala do desenvolvimento psicológico do jovem no Brasil, como 
por Laura Garcia, que trata dos projetos futuros dos jovens cubanos. Tratar 
da adolescência a partir da Psicologia Histórico-Cultural é um tema mui-
to importante, quando ainda impera nos estudos e produções uma visão 
de adolescência embrenhada em aspectos biológicos, sem considerar que, 
nessa fase, o jovem tem possibilidades de desenvolver os verdadeiros con-
ceitos e tem grande desenvolvimento das funções psicológicas superiores, 
como propõe Vygotski (1996), transformando tanto os conteúdos como 
as formas de pensar.
A discussão do método, como afirmamos, tangencia os trabalhos 
e vai criando motivos que nos incitam a querer estudar mais, aprofundar 
conceitos, dialogar com os autores. Provavelmente aqueles que participa-
ram no evento de Marília, puderam ser contemplados com discussões mui-
to ricas.
Entendemos que o exercício do uso do método se faz necessário 
no contexto em que vivemos hoje, no qual se trata, corriqueiramente, das 
metodologias utilizadas, mas raramente se fala dos métodos, mesmo entre 
aqueles que afirmam ter base nos conceitos da Psicologia Histórico-Cultu-
ral. Neste material, além dos autores partirem do concreto, na problema-
tização das temáticas, apresentam mediações que levam a pensar nos fatos 

16  
MENDONÇA, S. G. L.; PENITENTE, L. A. A.; MILLER, S. (Org.)
por meio da abstração teórica, voltando a esse concreto agora permeado 
por generalizações avançadas. Isso possibilita ver a essência do que está 
sendo tratado, fugindo da aparência.
Diante dessas considerações, é necessário registrar o agradecimen-
to por ser convidada a escrever esse prefácio em uma obra que explicita a 
aplicação do marxismo na relação entre psicologia e educação. Ao observar 
a trajetória do grupo de estudiosos da Psicologia Histórico-Cultural e do 
Marxismo em Marília, fica evidente o compromisso político dos pesquisa-
dores e profissionais com uma educação que realmente desenvolva a eman-
cipação humana e que leve em consideração o contexto histórico-cultural 
que produz relações de classe que permeiam a atividade educativa. Além 
disso, fica explícita a luta por uma psicologia e educação que tenham como 
método o materialismo histórico e dialético. Já em 1927 Vigotski anuncia-
va que a psicologia marxista ainda não existia, que sua construção era uma 
tarefa histórica. Entendemos que a tarefa continua e essa obra caminha 
nesse trilho ...


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