Mesa 2: Representaciones estéticas del pasado reciente Coordinadores y relatores



Descargar 4,83 Mb.
Página6/14
Fecha de conversión02.07.2017
Tamaño4,83 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14

Casale, Marta (2011). “El cine en la postdictadura: los documentales histórico-políticos durante el primer gobierno democrático” en Una historia del cine político y social en Argentina (1969-2009). Vol II. Lusnich, Ana Laura y Pablo Piedras. Buenos Aires: Nueva Librería

Duhalde, Marcelo (2005). “El exilio, entre el dolor y la culpa” en Página 12 5 de Abril de 2004

Jensen, Silvina (2010). Los exiliados. La lucha por los derechos humanos durante la dictadura. Buenos Aires: Editorial Sudamericana.

Jensen, Silvina (2005) “Vientos de polémica en Cataluña: los debates entre “los de adentro” y “los de afuera” de la Argentina de la última dictadura militar” en Revista HMiC Nº III (Historia Moderna y Contemporánea), Universidad Autónoma de Barcelona.

Jensen, Silvina (1998). La huída del horror no fue olvido. El exilio político argentino en Cataluña (1976-1983). Barcelona: M.J. Bosch.

Nichols, Bill (1997). La representación de la realidad. Cuestiones y conceptos sobre el documental. Buenos Aires: Paidós

Piedras, Pablo y Lior Zylberman (2011). “Entrevista a Carlos Echeverría. Recorrido por su trayectoria documental” en Cine Documental Nº 3, Revista digital. Consultado el 14 de mayo de 2012. http://revista.cinedocumental.com.ar/3/notas_01.html

Plantinga, Carl (1997). Rhetoric and representation in nonfiction film. United Kingdom: Cambridge University press.

Vommaro, Gabriel (2006). ”Cuando el pasado es superado por el presente: las elecciones presidenciales de 1983 y la construcción de un nuevo tiempo político en la Argentina” en Pucciarelli, Alfredo. Los años de Alfonsín. ¿El poder de la democracia o la democracia al poder? Buenos Aires: Siglo XXI

A morte do leão na Escola Estadual de Ensino Fundamental Justino Alberto Tietboehl, Torres/rs, entre as décadas de 60 e 70 do século xx.

Camila Eberhardt

Pertenencia institucional: Programa de Pós-Graduação em História / Pontifícia Católica do Rio Grande do Sul/PUCRS, Brasil.

Palabras clave: Fotografia – Educação - História Cultural



RESUMO

O presente artigo versa sobre as possibilidades advindas da nova história cultural, que consiste na abrangência das possibilidades de objetos de pesquisa. Realiza-se, portanto, uma análise de imagens fotográficas da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Justino Alberto Tietboehl referentes a duas séries fotográficas das décadas de 1960 e 1970 a qual se relacionam aos desfiles de 7 de Setembro e tendo como ponto de encontro uma alegoria denominada A morte do Leão. Este artigo objetiva evidenciar as possibilidades de análises dessas imagens, tendo em vista identificar os usos e funções que as fotografias tão presentes na instituição de ensino adquirem para a mesma, identificando suas relações sócio-culturais e políticas que permeiam o sistema de ensino nos períodos estudados.



Palavras-chave: Fotografia. Educação. História Cultural.

RESUMEN

El presente artículo habla sobre las posibilidades que advienen de la nueva historia cultural, que es el abanico de posibilidades para los objetos de investigación. Por lo tanto, se realiza un análisis de las imágenes fotográficas de la Escuela Estatal de Educación Básica Maestro Justin Alberto Tietboehl  que se refiere a dos series fotográficas de los años 1960 y 1970 que corresponden a los desfiles del 7 de septiembre, teniendo como punto de encuentro una alegoría denominada La muerte del Leon. Este artículo pretende poner de manifiesto las posibilidades de análisis de estas imágenes, con el fin de identificar los usos y funciones que las fotografías  presentes en la institución educativa adquieren para la misma, haciendo la identificación de las relaciones socioculturales y políticas que impregnan el sistema educativo en los períodos estudiados.



Términos claves: Fotografía. Educación. Historia Cultural.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo objetiva um estudo de fotografias pertencentes à Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Justino Alberto Tietboehl, localizada na cidade Torres, estado do Rio Grande do Sul. Esse estudo é composto por duas séries de imagens fotográficas das décadas de 1960 e 1970, tendo em vista que, a partir das imagens analisadas possibilitar-se-á compreender quais os usos e funções das fotografias para este instituto de ensino, pois as imagens fazem parte do arquivo da instituição.

A instituição de ensino completou em maio de 2011 cinquenta anos de fundação, e grande parte das imagens fotográficas que pertencem à escola foram organizadas em álbuns e mantiveram-se expostas ao longo do ano de 2011 no hall de entrada da instituição. Ao propor essa exposição, tinha-se o objetivo de contar a história de seu estabelecimento ao longo destes cinquenta anos para alunos, professores e para a comunidade em geral, desejo expressado pela localização em que os álbuns foram dispostos no prédio escolar. Assim, a análise dessas imagens fotográficas possibilita o estudo da história e da memória da instituição escolar, onde são registrados os principais eventos da escola, tendo em vista que, o estudo da memória coletiva “se expressa no âmbito de instituições, a maioria das vezes estatais, mas também da sociedade civil, como igrejas, escolas, sociedades históricas e assim, por diante.” 47

O estudo das imagens fotográficas desta instituição deve-se ao fato de que a Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Justino Alberto Tietboehl, possui um acervo significativo de imagens fotográficas que perpassam por diversas categorias de temas. Além dessa característica, a escola também chama a atenção pelo fato de ser a primeira instituição de ensino de Torres a adotar a estrutura educacional vigente nas décadas de 60 e 70, o de ensino técnico. Nas imagens produzidas pela escola algumas temáticas são recorrentes, dentre as quais, destacam-se os eventos cívicos, ora em ambientes externos à escola, tais como nos desfiles de Semana da Pátria, do dia 7 de Setembro, da Semana Farroupilha e da Batalha do Riachuelo48, ora no pátio da mesma. Dentre estes desfiles serão destacadas duas séries em especial, que fazem parte de um álbum que contém cento e cinquenta e quatro fotografias. Estas séries se referem aos desfiles de 7 de Setembro, que ocorrem todos os anos, com assídua participação da comunidade escolar, até o momento presente pelas ruas da cidade de Torres.

A primeira série, datada de 1962, é composta por oito imagens fotográficas onde, através da disposição das fotografias no álbum, é possível narrar49 a participação de professores na fabricação de uma alegoria denominada “A morte do Leão”, que seria utilizada em um desses desfiles. Logo, a segunda série, segue no tempo e encontra-se quase uma década mais tarde, no ano de 1971, nas imagens da segunda série o que se evidencia será o desfile pelas ruas da cidade. Por fim, o que liga estas duas séries fotográficas, é a utilização da mesma alegoria denominada em 1962 de “A morte do Leão” no segundo desfile registrado uma década mais tarde, o que revela a manutenção de um evento de longa data e da significabilidade desses eventos cívicos para o corpo escolar.

Deste modo, é importante destacar algumas questões no que concerne à fotografia, sua utilização dentro do campo da história, visto as possibilidades que a imagem fotográfica possibilita à sociedade.



2 REFLEXÕES TEÓRICAS E FOTOGRAFIA

A presença da imagem é uma das características mais importantes das sociedades atuais. Observa-se que a humanidade nas mais diversas culturas sempre expressou a necessidade de se representar através de imagens, de formas, e, por vezes, significados que são distintos a cada povo. Régis Debray50 questiona, “porque motivo há imagem em vez do nada?”. Isso evidencia que a imagem sempre fora importante e transportara significados ao longo da trajetória humana.

Desta forma, percebe-se a importância que adquire a imagem aos homens. Para Debray51 ela evidencia as utilizações e significados que mudaram ao longo do tempo, primeiramente quando possuía um sentido mágico, e posteriormente, criando seus próprios estatutos enquanto considerada como arte, e, por fim, com o domínio da imagem na esfera visual. No entanto, deteremo-nos sobre os desenvolvimentos da técnica fotográfica, uma imagem de caráter técnico como propõe Flusser52, que, em pouco tempo, permitiu uma grande expansão do mundo representado em imagens, um mundo que atualmente é visualizado em imagens denotando a grande expansão destas na sociedade.

O desenvolvimento da técnica fotográfica responde a demanda advinda da sociedade sobre a imagem, nesse sentido, como destaca Francastel53 “nenhuma inovação é feita de absoluta criação”, assim, a técnica fotográfica desenvolveu-se após inúmeras tentativas e pesquisas realizadas, tendo a sua invenção patenteada em 1839 por Niépce e Daguerre. Monteiro salienta que:

A partir do século XX, a fotografia vai tomar o seu lugar nesse mundo das imagens, ao qual vem alterar de forma radical no contexto da Revolução Industrial ou Revolução Técnico-Científica. Por um lado, a fotografia veio responder a uma demanda crescente de imagens e de autorrepresentação da burguesia em ascensão, buscando uma forma de fabricar imagens de forma rápida e consideradas fiéis ao seu referente. De outro, o dramático processo de urbanização criou a necessidade de controlar e disciplinar um contingente diversificado de sujeitos em uma sociedade de massas, criando a foto identificação.54

A fotografia, portanto, é moderna, pois nasce na modernidade55 e atinge diversos espaços da sociedade com grande rapidez onde, deste modo, criou novas formas de representação aos homens. Para Kossoy56 o “mundo tornou-se de certa forma ‘familiar’ após o advento da fotografia”, dialogando com esta noção, da mesma forma, creditou-se a fotografia o poder de representação exata do real, devido a sua gênese técnica, como atesta Dubois57, onde a imagem fotográfica seria o resultado de um processo mecânico, onde “la fotografia requiere poco o ningún aprendizaje”58 em seu manuseio, ou seja, isento de interferência humana. Ainda, um recorte do mundo, um momento congelado, um mundo em miniatura59, são atribuições que foram e por muitas vezes ainda são designadas à fotografia. Nas palavras de Belting

Sin embargo, éstos, sobre la placa fotográfica, son arrancados del flujo de la vida y ‘conjurados’ en la imagen, como es propicio decir en referencia a las prácticas mágicas, a manera de recuerdos aislados de la realidad. 60

A imagem fotográfica adquire grande espaço de significações dentro das sociedades, para Barthes61 a fotografia exerce a função de perpetuação do passado, assim, constata-se que a imagem também adquire um espaço significativo na constituição de memória das sociedades. Nesse sentido Catrogra62 define a memória como “uma das expressões da condição histórica do homem”. Ainda, para Kossoy63 a “fotografia é memória e com ela se confunde”. Desse modo, a fotografia permite suprir as falhas da memória, como atesta Bourdieu:

Más concretamente, la fotografía tendría como funciona ayudar a sobrellevar la angustia suscitada por el paso del tiempo, ya sea proporcionando un sustituto mágico de lo que aquél se ha llevado, ya sea supliendo las fallas de la memoria y sirviendo de punto de apoyo a la evocación de recuerdos asociados. 64

A fotografia é um auxílio para recuperar a lembrança perdida, através de narrações advindas do mundo exterior, permite à lembrança uma “reconstrução do passado, com a ajuda de dados emprestados do presente”.65 Nesse sentido, refere Le Goff66 que “a fotografia, que revoluciona a memória: multiplica-a e democratiza-a, dá-lhe uma precisão e uma verdade visuais nunca antes atingidas, permitindo, assim, guardar a memória do tempo e da evolução cronológica”. Assim, a imagem passa a ocupar um papel muito importante na representação das memórias coletiva e individual para as sociedades do século XX, deve-se a isso o fato de muitas instituições escolares registrarem muitas de suas atividades com uso de fotografias, onde a instituição confere à imagem um papel de atestação67. Ainda, para Sontag68 “fotos fornecem um testemunho” e os Estados modernos cientes dessa possibilidade utilizam a fotografia para esse fim.

Tendo em vistas os usos e funções das imagens fotográficas, Knauss69 propõe que a imagem conota expressão da diversidade social e da pluralidade humana, o historiador, portanto, quando na análise de fotografias, deve analisar “seus usos, as suas apropriações sociais, as técnicas envolvidas na sua manipulação, a sua importância econômica e a sua necessidade social e cultural.”70

Kossoy71 ressalta, ainda, que as fotografias devem ser analisadas com metodologias adequadas, tendo em vista que, a imagem é sempre uma “representação resultante do processo de criação/construção do fotógrafo”72. E nesse processo de construção é importante observar que existe na

Imagem fotográfica um poderoso instrumento para a veiculação das ideias e da consequente formação e manipulação da opinião pública, particularmente, a partir do momento em que os avanços tecnológicos da indústria gráfica possibilitaram a multiplicação massiva de imagens através dos meios de informação e circulação.73

Isto posto, é possível afirmar que as fotografias escolares que registram os ritos cívicos buscam por meio desses registros a afirmação da veiculação de uma propaganda política destinada ao meio em que circulam74. Para Possamai75, a utilização da fotografia pelos historiadores “deixaria, assim, de ser considerada mera duplicação da realidade para ser inserida na construção de sentidos e de significações sociais”. Dessa forma, Le Goff76 relata que “a memória é um elemento essencial do que se costuma chamar identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje, na febre e na angústia”, portanto, identidade e memória são partes constituintes de uma mesma necessidade de análise. Da mesma forma, à imagem atribuem-se as funções que são “informar, representar, surpreender, fazer, significar, dar vontade”.77

Para tanto, algumas considerações são pertinentes para que se torne possível uma análise destas séries de imagens fotográficas da Escola Estadual de Ensino Fundamental Justino Aberto Tietboehl, dentre as quais, algumas ponderações sobre o sistema educacional brasileiro no período da fundação da instituição de ensino, cujas imagens fotográficas são analisadas.

3 CONSIDERAÇÕES SOBRE EDUCAÇÃO

A instituição escolar Justino Alberto Tietboehl foi fundada em 1º de maio de 1961, e ao longo de sua história passou por diversas transformações, que atingiram desde o próprio nome da instituição por diversas vezes, até mesmo o seu próprio funcionamento, a suas gerências e práticas pedagógicas que concernem ao seu cotidiano escolar. Assim, torna-se indispensável realizar algumas considerações sobre a educação no Brasil no período em que a Escola em questão vivencia seus eventos e os fotografa como forma de registro de sua história e sua memória.

A partir da década de 1960, o Brasil passa por diversas mudanças em seus processos políticos, mudanças às quais resultam em 1964, em uma ditadura militar. Nesse sentido, a educação será muito importante dentro dos projetos ambicionados pelo regime político de 1964. Em um primeiro momento, o regime político traçou uma tentativa de recuperação econômica, havendo dessa forma uma demanda social pela educação. Esse aumento de demanda provocou um agravamento da crise educacional pelo qual o país passava, pois, a educação no Brasil, sempre acompanhou com atraso as necessidades do país78. No entanto, essa relação, longe de ser inevitável, era algo que ocorria de forma consciente pelo grupo que controlava o poder, de acordo com Romanelli

[...] a manutenção do atraso da escola em relação à ordem econômica e à ordem social, longe de ser uma contradição de fato, era uma decorrência da forma como se organizava o poder e, portanto, servia aos interesses dos grupos nele mais notavelmente representados. 79

Assim, esta verdade justificou a criação de diversos convênios conhecidos como acordos MEC-Usaid. Esses acordos entre o MEC e órgãos da Agency for International Development (AID) eram órgãos que teriam como função a prestação de assistência técnica e financeira ao sistema educacional brasileiro. Em contrapartida a esses acordos realizados pelo governo, é válido resaltar que houve uma intensa campanha contrária dirigida pela UNE (União Nacional dos Estudantes) que realizava segundo Ribeiro80 uma denúncia onde esses acordos seriam na verdade “mecanismos de subordinação da educação aos interesses norte-americanos”.

Porém, a solução encontrada pelo governo brasileiro para enfrentar a crise educacional o qual se encontrava, buscará pela aplicação de tais acordos para solução dos problemas encontrados e os busca através da adequação do sistema educacional. Assim, destaca Romanelli que

O regime percebeu, daí para frente, entre outros motivos, por influência da assistência técnica dada pela Usaid, a necessidade de se adotarem, em definitivo, as medidas para adequar o sistema educacional ao modelo do desenvolvimento econômico que então se intensificava no Brasil. 81

Porém, antes da instituição do regime militar em 1964, é importante resaltar que em 1961 entra em vigor a primeira LDB (Lei de Diretrizes e Bases), Veiga82 exprime que essa lei altera as leis orgânicas de 1942, e relata ainda, que desde os anos de 1940 há uma grande ênfase no desenvolvimento e aplicação de um ensino técnico no Brasil para atender as demandas econômicas. Assim, em 22/01/1942 ocorreu a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem dos Industriários (Senai) e em 11/01/1946 institui-se o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Estabeleceu a LDB de 1961 a educação de grau médio, onde, portanto, irá se incluir o ensino médio, o curso secundário e o curso técnico, notando-se a ênfase que se dá neste período aos cursos profissionalizantes, uma prática como visto, que recorria aos anos de 1930 e 1940, e que se intensifica de acordo com a grande necessidade de desenvolvimento no período em questão das análises.

Mas há que se ter em conta que, as reformas executadas pelo regime militar instaurado, de longe, foram vistas como positivas, visto que, as reformas empreendidas pelo regime favoreceram a expansão de curso pré-vestibular e de institutos de ensino privado83, tornando a educação um espaço de concorrência e dificultando desta forma, a entrada da população popular ao ensino superior, apesar de este ter crescido consideravelmente. Uma realidade que persiste até os dias de hoje. Assim sendo, compreender de que forma determinadas opções e ações permearam o nosso passado, nos permite responder os anseios advindos do presente, logo, algo que se faz urgente no momento atual.

4 A MORTE DO LEÃO NOS DESFILES DE 7 DE SETEMBRO

Este estudo pretende, portanto, a análise de duas séries de imagens fotográficas selecionadas na Escola Estadual de Ensino Fundamental Justino Alberto Tietboehl, que retratam atividades desenvolvidas em torno do desfile de 7 de setembro, tendo em vista que para Leite84 “uma série de imagens que reunidas ou justapostas podem sugerir aspectos ou ângulos de uma atmosfera ou de um ambiente.” As fotografias destas séries revelam que as comemorações cívicas tornaram-se para o Estado um espaço onde se assenta a construção de uma memória coletiva do país, em consequência disso a permanente realização destes desfiles nas instituições de ensino do país tornou-se uma constante, onde os desfiles cívicos passaram a constituir uma imagem do cidadão brasileiro, desta maneira, estes desfiles criam representações de uma cultura cívica85.

A análise inicia com fotografias que primeiramente se destacam pela construção de uma alegoria denominada a Morte do Leão. As imagens fotográficas que compõe a primeira série perfazem um número de seis fotografias que foram conservadas em um álbum. Totalizando um número de seis fotografias, onde as cinco primeiras são fotos pousadas realizadas junto a uma alegoria de um leão, e, a sexta fotografia configura um instantâneo realizado na Rua José Picoral. Nestas imagens, os professores possam para a objetiva transmitindo uma relação de domínio sobre o que se está construindo, no caso, a alegoria de um leão. Estas imagens não retratam, em sua maioria, o desfile propriamente – exceto a última imagem – as fotografias foram realizadas dentro do local onde eram ministradas as aulas dos cursos técnicos de marcenaria e mecânica, tendo em vista que, no período a instituição tinha a denominação de Escola Técnica Industrial, denotando a característica de ensino oferecida pela instituição, e, portanto, o local onde as fotografias foram tiradas, eram espaços de aprendizagem de cursos técnicos.

Destacam-se nas imagens fotográficas analisadas, que as mesmas foram fixadas em um álbum, onde as bordas laterais são fixadas em um papel amarelo. Também, é importante destacar que as fotografias foram plastificadas, uma forma encontrada pela instituição de ensino, de preservar as imagens fotográficas enquanto documentos, denotando a importância que estas possuem enquanto registro da história e da memória para a instituição escolar.

Por conseguinte, são pertinentes as considerações que Ana Maria Mauad86 pondera sobre o circuito social da fotografia, na perspectiva da imagem fotográfica enquanto imagem/documento e imagem/monumento propostas por Le Goff, onde, a primeira colocação remete a materialidade passada da imagem fotográfica e a segunda informa sob o que a sociedade optou por perenizar ao futuro, onde a imagem fotográfica adquiriu um papel de significação, ou seja, de símbolo. É relevante destacar que as imagens fotográficas da primeira série possuem uma etiqueta posicionada à esquerda inferior, essa etiqueta fazia parte de uma forma que a escolar encontrou para identificá-la dentro da série de imagens que se encontram no álbum que se analisa.

Na figura 1 e figura 2 encontra-se o professor Gilberto Fernandes Valin, que atuava na escola nesse período. Assim, as imagens da figura 1 e figura 2 são fotografias pousadas, em formato médio, enquadramento retangular na posição horizontal. Em primeiro plano, estão o professor Gilberto e a alegoria do leão, em um segundo plano são possíveis a visualização de um espaço amplo e de máquinas de trabalho que eram utilizadas como meio de aprendizagem nos cursos técnicos oferecidos pela instituição. A alegoria posicionada ao chão em um primeiro momento, possibilita a interpretação de vitória de Gilberto sob a fera, logo, na segunda fotografia, evidencia-se a imagem do leão em pé, e o jovem posta-se em cima da mesma, denotando uma ideia de domínio sob o animal. Deste modo, torna-se evidente nas figuras 1 e 2 que a pose em que se encontra Gilberto revela uma posição de dominação frente à alegoria, os pés sobre a cabeça do Leão denotam a conquista ou a morte, como designam as legendas que compõe a fotografia no álbum, ou seja, a posição de ataque de Gilberto ao leão. Da mesma forma, a figura 2 denota a mesma atitude sob a alegoria. Em segundo plano, percebe-se que o local era bem iluminado e arejado, visto que, era o local onde eram realizadas as aulas dos cursos de mecânica e marcenaria.



FIGURA 1 E FIGURA 2 - A Morte Do Leão Na Escola

1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   14


La base de datos está protegida por derechos de autor ©absta.info 2016
enviar mensaje

    Página principal